Nessa vida, já morri várias vezes
Morrer nem sempre é um fim literal. Às vezes, é a forma simbólica que a vida encontra para nos transformar. E eu já morri várias vezes: quando perdi pessoas, quando tive que deixar para trás o que amava, quando me vi em pedaços diante de escolhas erradas, quando precisei engolir verdades duras demais para minha idade emocional.
Já morri ao ser traído por quem jurei confiar. Já morri tentando caber em espaços que me encolhiam. Já morri engolindo palavras para manter uma paz que nunca existiu. Já morri sorrindo para não preocupar ninguém, enquanto por dentro eu implodia em silêncio.
Cada uma dessas mortes doeu. Algumas silenciosas, outras violentas. Mas todas me obrigaram a mudar, a soltar, a me refazer.
A verdade é que a vida, quando quer nos ensinar algo, raramente é gentil. Ela arranca, vira do avesso, esfrega o que evitamos ver. Mas também oferece renascimentos. E eu renasci cada vez que disse “chega”, cada vez que escolhi a mim mesma, cada vez que entendi que continuar tentando agradar o mundo era morrer mais um pouco todos os dias.
Essas mortes simbólicas me ensinaram algo precioso: o que realmente vale a pena permanece, mesmo quando tudo desmorona. E o que vai embora, às vezes, é livramento disfarçado de perda.
Hoje, carrego cicatrizes. Não escondo nenhuma. Elas contam onde fui quebrada e onde me reconstruí. E se amanhã eu morrer mais uma vez por dentro, saberei que é só mais uma transformação. Porque, no fundo, viver é isso: morrer para versões antigas de si, até que sobre apenas o essencial.


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