Por que é tão fácil cuidar do outro e tão difícil cuidar de si?

É curioso como, muitas vezes, conseguimos oferecer ao outro exatamente aquilo que negamos a nós mesmos. Somos pacientes com as dores alheias, compreensivos com os erros de quem amamos, acolhemos as inseguranças das pessoas… mas, quando se trata de nós, a cobrança costuma ser cruel.

Perdoamos o outro com facilidade, mas transformamos nossos próprios erros em condenação. Tentamos entender o motivo das atitudes de quem amamos, enquanto tratamos nossas falhas como se elas definissem quem somos. Como se todo mundo tivesse o direito de ser humano menos nós.

Talvez isso aconteça porque aprendemos, desde muito cedo, a oferecer amor para sermos aceitos. Aprendemos a cuidar, agradar, compreender e estar disponíveis para os outros. Mas quase nunca nos ensinaram a direcionar esse mesmo cuidado para dentro. Então crescemos sabendo acolher o mundo inteiro… menos a nós mesmos.

Existe também uma ideia de que precisamos merecer, amor, perdão ou gentileza. Como se precisássemos estar sempre acertando para finalmente nos tratarmos com respeito. E, sem perceber, nos tornamos pessoas extremamente duras com aquilo que sentimos.

Mas a verdade é que você também merece a compreensão que oferece aos outros.

Você merece falar consigo mesma com mais paciência. Merece errar sem se destruir emocionalmente. Merece acolher suas dores sem sentir culpa por senti-las. Porque ninguém consegue viver bem carregando uma voz interna que só critica, cobra e machuca.

Talvez o amor-próprio comece justamente nesse ponto: quando você percebe que não faz sentido oferecer tanta humanidade para os outros enquanto se trata como alguém que nunca pode falhar. Porque você também é alguém que precisa de cuidado, acolhimento e gentileza principalmente de si mesma.

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