Entre a luz e o que refletimos

 

Vivemos cercados por estímulos, experiências e relações que nos atravessam todos os dias. O que fazemos com isso define muito mais sobre quem somos do que aquilo que simplesmente nos acontece. Assim como essas esferas, podemos escolher ser superfícies opacas, que absorvem tudo sem devolver nada… ou podemos nos tornar reflexos conscientes do que recebemos.

Mas refletir não é repetir.

Repetir é automático. Refletir exige presença.

Quando alguém nos trata com dureza, por exemplo, a reação mais comum é devolver na mesma moeda. É o reflexo bruto, quase instintivo. Mas existe um outro caminho. mais difícil, mais silencioso, que é o de filtrar antes de responder. É decidir o que merece ser propagado e o que deve ser interrompido ali, dentro de nós.

Esse tipo de escolha constrói caráter.

Assim como a luz que atravessa o vidro cria nuances, cores e pequenas distorções, nossas vivências também passam por quem somos antes de chegar ao outro. Não existe neutralidade: sempre deixamos um traço. A questão é esse traço ilumina ou pesa?

Outro ponto que chama atenção é a delicadeza da cena. Tudo ali depende de equilíbrio. Um vento mais forte poderia deslocar as esferas, um galho mais frágil poderia não sustentá-las. Isso lembra que nossa forma de agir também está ligada ao nosso estado interno. Quando estamos sobrecarregados, inseguros ou emocionalmente instáveis, refletimos isso no mundo mesmo sem perceber.

Cuidar de si, então, não é um ato isolado. É uma responsabilidade relacional.

Porque, no fim, não somos apenas quem somos por dentro. Somos também aquilo que espalhamos ao redor.

E talvez a grande pergunta seja:
se alguém olhasse para você hoje, o que veria refletido?

Luz… ou apenas acúmulo?

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