Não foram 10 meses, foram 10 anos

Fico olhando nossas fotos e me pergunto onde tudo começou a mudar. Não foram 10 meses, foram 10 anos. Dez anos de histórias que hoje cabem em imagens paradas, em sorrisos congelados no tempo. E, mesmo assim, a pergunta insiste: em que momento tudo chegou ao fim? O que aconteceu com aquilo que parecia tão certo?

Houve um tempo em que tudo era leve. A gente fazia planos simples, ria de coisas pequenas, contava o dia um para o outro. No início, tudo parecia mágico. Sair, conversar, viver… qualquer coisa ganhava sentido só por estar junto. Existia presença, vontade, escolha.

Foram momentos compartilhados, conversas longas, risadas que preenchiam o silêncio, brigas que pareciam passageiras. Também houve sonhos, conquistas, caminhos traçados em comum. Era uma construção constante, mesmo sem perceber. A gente estava criando algo e acreditava que aquilo seria duradouro.

Mas, aos poucos, algo foi se perdendo. Não de forma brusca, não em um único dia. Foi silencioso. Pequenas distâncias, falas não ditas, sentimentos não compreendidos. O que antes era natural começou a exigir esforço. E o que era leve começou a pesar.

Hoje, tudo virou lembrança. O que antes era presença virou ausência. E o mais estranho não é o fim em si, mas o fato de que duas pessoas que já se conheceram tão profundamente agora parecem estranhas uma para a outra. Como se, em algum ponto do caminho, tivéssemos deixado de nos reconhecer.

Talvez o amor não acabe de uma vez. Talvez ele vá se desfazendo nos detalhes que deixamos de cuidar. E, quando percebemos, já não é mais sobre voltar é sobre entender. Porque algumas histórias não terminam com respostas claras, mas com silêncios que ensinam mais do que qualquer explicação.

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