Quem muda se torna mais quem se é
Existe uma ideia silenciosa que assusta muitas pessoas: a de que mudar é perder a própria identidade.
Como se toda transformação fosse uma traição ao que somos.
Mas a verdade é quase oposta: quem muda, quando muda com consciência, se torna mais quem se é.
Desde cedo aprendemos a associar constância com maturidade.
“Mantenha-se firme”, “não mude”, “seja sempre o mesmo”.
Mas permanecer igual não é sinônimo de fidelidade interior, muitas vezes é apenas medo.
Mudar não significa abandonar a essência.
Significa retirar camadas que nunca foram essência: expectativas alheias, defesas emocionais, versões criadas para sobreviver.
O que não muda com o tempo geralmente não é essência, é estagnação.
A mudança como revelação, não como ruptura
A mudança verdadeira não rompe com quem somos; ela revela.
Ela nos aproxima do núcleo que estava encoberto.
Ao longo da vida, somos obrigados a nos adaptar:
para sermos aceitos, para não perdermos vínculos,
para sobreviver emocionalmente.
Essas adaptações criam versões funcionais de nós mesmos, mas nem sempre autênticas.
Mudar, então, é o movimento de retorno um ajuste fino entre o que fazemos e o que somos.
Por isso, toda mudança profunda traz estranhamento.
Não porque seja falsa, mas porque é mais verdadeira do que a versão anterior.
O que resiste à mudança raramente é essência
A essência não teme a transformação. Ela se fortalece nela.
O que resiste costuma ser:
-
o medo de rejeição
-
a necessidade de controle
-
a identidade construída a partir da dor
Quando mudamos, algumas pessoas dizem:
“Você não é mais o mesmo.”
Na maioria das vezes, isso significa apenas:
“Você não cabe mais no papel que eu conhecia.”
E isso dói, mas também amadurece.
Mudança é sinal de consciência
Só muda quem percebe.
Quem reflete.
Quem se examina.
A filosofia já afirmava: uma vida não examinada não merece ser vivida.
Examinar a própria vida inevitavelmente conduz à mudança de pensamento, de postura, de direção.
Não mudar após a consciência é permanecer em contradição interna.
Tornar-se quem se é dá trabalho
Há um custo em se tornar mais fiel a si mesmo.
Você perde encaixes, mas ganha leveza.
Perde aprovação fácil, mas conquista coerência.
A mudança exige:
-
coragem para decepcionar
-
paciência com o processo
-
humildade para reconhecer incoerências passadas
Mas, em troca, oferece algo raro: paz interior.
O retorno à essência não é um ponto final
Mudar não é um evento isolado, é um caminho contínuo.
Você não “chega” em quem é você se alinha, dia após dia.
Quem muda com verdade não se torna instável.
Torna-se mais inteiro.
Mudar não é deixar de ser. É parar de fingir.
E, no fim, quem muda com consciência não se perde se encontra.

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