Viver não é apenas existir


Não é apenas respirar, cumprir horários ou atravessar os dias esperando que o tempo passe. Viver, no sentido mais profundo, é estar presente na própria experiência, consciente do que se sente, do que se escolhe e do que se constrói ao longo do caminho.

Muitas vezes confundimos vida com movimento. Achamos que viver é estar sempre ocupado, sempre produzindo, sempre avançando. Mas há uma diferença silenciosa entre estar em atividade e estar vivo por dentro. É possível fazer muito e, ainda assim, sentir-se distante de si mesmo.

Filosoficamente, viver é um exercício de relação: com o mundo, com os outros e consigo. É nesse encontro que surgem as perguntas essenciais: Quem sou eu? O que faz sentido para mim? Para onde estou indo? Essas perguntas não aparecem quando estamos no automático, mas quando o viver deixa de ser apenas sobrevivência e se torna reflexão.

Desde a Antiguidade, os filósofos perceberam que viver bem não está ligado apenas a condições externas, mas à forma como compreendemos nossa própria existência. Aristóteles chamava isso de vida boa: uma vida guiada pela virtude, pelo equilíbrio e pela consciência das próprias escolhas. Não uma vida perfeita, mas uma vida coerente.

Viver também é aceitar a impermanência. Tudo muda: os ciclos, as fases, os desejos, as certezas. Resistir a essa mudança gera sofrimento. Compreendê-la gera maturidade. Viver, portanto, é aprender a atravessar o tempo sem perder a própria essência.

Há momentos em que viver dói. Dói porque viver implica perdas, despedidas, frustrações e limites. Mas também é nesse espaço de vulnerabilidade que a vida se aprofunda. Sentir faz parte do viver. Evitar o sentir é uma forma sutil de se afastar da própria existência.

Viver é escolher. Mesmo quando não escolhemos conscientemente, estamos escolhendo. Escolhemos silenciar ou falar, permanecer ou mudar, repetir ou transformar. Cada escolha, pequena ou grande, vai desenhando quem nos tornamos.

Por isso, viver não é um estado fixo. É um processo contínuo. Um caminho que se constrói dia após dia, com perguntas, erros, aprendizados e recomeços. Viver é um convite constante à presença, à responsabilidade e ao sentido.

Talvez viver seja isso:
não ter todas as respostas,
mas continuar caminhando com honestidade,
escutando a própria consciência
e permitindo-se transformar ao longo do caminho.

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